A volta dos que não foram: o primeiro turno das eleições de 2026 no Brasil e o aprofundamento da ameaça neofascista

A volta dos que não foram: o primeiro turno das eleições de 2026 no Brasil e o aprofundamento da ameaça neofascista
Luca Ponsato, O retorno (2026).

No último domingo, dia 04 de outubro, o eleitorado brasileiro foi às urnas e a apuração dos votos revelou um cenário mais sombrio do que a maioria dos analistas do campo progressista, em seu sentido amplo, previam. Invertendo as previsões das pesquisas eleitorais, Flávio Bolsonaro, com 47,03% dos votos válidos, segue para o segundo turno em vantagem sobre Lula da Silva, que obteve 45,16% dos votos, recebendo cerca de dois milhões de votos a menos que o filho de Jair Bolsonaro. Para o governo dos estados, vinte e um governadores foram eleitos em primeiro turno e teremos um segundo turno em apenas quatro estados e no Distrito Federal. O PL, partido de Bolsonaro, elegeu seis governadores, contra três do PT de Lula. A maioria dos demais eleitos se encontra no espectro da direita.

Para o legislativo federal, não há dúvidas de que este será o Congresso Nacional mais reacionário desde o fim da ditadura militar - e cabe lembrar que chegamos a essa mesma avaliação ao fim de cada eleição parlamentar dos últimos 12 anos. No Senado, em que 2/3 das 81 cadeiras estavam em disputa, o PL pulou de 12 (em 2023) para 28 senadores e a bancada da direita é de pelo menos 49 senadores, número suficiente para aprovar emendas que modifiquem a Constituição e apenas cinco votos abaixo do mínimo necessário para aprovar um impeachment de ministro do Supremo Tribunal Federal, objetivo anunciado há muito tempo pela extrema-direita. Não será difícil angariar esses cinco votos caso Flávio Bolsonaro confirme sua vitória no segundo turno. Já na Câmara dos Deputados, os partidos mais à direita conquistaram 276 das 513 cadeiras, enquanto as siglas de esquerda e centro-esquerda conseguiram eleger 124 deputados. Para se ter ideia do caráter dessa bancada de direita, basta um exemplo: mais da metade dos deputados eleitos (260) e 32 dos 54 senadores eleitos no dia 04/10 atuam contra a preservação da Amazônia (votaram a favor de legislação que facilita o desmatamento; votaram contra os direitos indígenas; já cometeram infrações ambientais e/ou compõem a "bancada ruralista", que representa o setor que mais devasta no país).

Identificamos esses resultados como uma ameaça de aprofundamento do poder político da corrente neofascista brasileira - o bolsonarismo - por um lado porque entendemos que esse poder nunca esteve totalmente ausente. Lula da Silva venceu Jair Bolsonaro nas eleições de 2022 por uma margem muito estreita de votos. Mesmo sendo julgado e preso por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro, o pai, continuou sendo a principal referência para um movimento político com capacidade de mobilização de massas e forte representação institucional. A ponto de indicar como candidato presidencial seu filho mais velho - um político de pouca expressão e completamente cercado por suspeitas e casos comprovados de corrupção e envolvimento com figuras do crime organizado - e levá-lo ao segundo turno das eleições. 

Por outro lado, ao tratar o bolsonarismo como neofascismo, partimos de uma comparação com o fascismo histórico, que permite identificar elementos de semelhança/continuidade, assim como especificidades desse fascismo do século XXI. Entre as semelhanças, está o fato de que o fascismo dos anos 1920/1930 emergiu em meio a uma crise de múltiplas dimensões, assim como o faz o neofascismo hoje. Naquela conjuntura as formações sociais capitalistas, europeias em particular, foram abaladas pelos conflitos interimperialistas que desaguaram na Primeira Guerra Mundial, pela ameaça internacional ao capitalismo aberta pela revolução de 1917 na Russia, pela crise capitalista de 1929 etc. Hoje, entretanto, a crise, em suas múltiplas dimensões, possui outra configuração - daí suas especificidades. 

De forma muito sumária, podemos apontar para algumas dentre as principais dimensões dessa crise. A começar pelo risco civilizatório representado pela catástrofe ambiental, associada à crise climática em curso acelerado. Diante do quadro de real e cada vez mais palpável de deterioração das condições da vida humana no Planeta (dada a aceleração da recorrência e a elevação da intensidade dos eventos climáticos extremos), o capital segue, como não poderia deixar de seguir, seu impulso de auto-valorização, num crescimento constante da produção de mercadorias, alimentada pela queima de quantidades cada vez maiores de combustíveis fósseis e pela consequente destruição ambiental para explorar os “recursos naturais”. 

A queda das taxas de lucro das economias capitalistas, identificada desde a crise econômica de  2008, ainda não foi revertida, levando o capital a buscar saídas que apontam para a aceleração da catástrofe ambiental, para o avanço das expropriações em todos os territórios do Globo e para a ampliação da exploração da força de trabalho, o que se reflete nos cada vez mais indecentes indicadores de desigualdade social e precariedade das condições de reprodução social da vida de bilhões de seres humanos ao redor do planeta. 

Ao mesmo tempo, assistimos à retomada, em escala ampliada, das rivalidades interimperialistas pelo controle das áreas de influência para reprodução ampliada do capital das grandes potências, redundando em uma nova corrida armamentistas e na exacerbação dos conflitos militares - guerras como entre a Rússia e a Ucrânia, genocídios como o movido por Israel na Palestina ou o que ocorre com a chamada “Guerra Civil” do Sudão.

A ascensão neofascista é ao mesmo tempo componente e um determinado tipo de resposta a essas várias dimensões de “crise orgânica” (no sentido de Gramsci), ou “crise estrutural do capital” (no sentido de Mészáros), assim como o foi o fascismo histórico na primeira metade do século XX. De um lado, o neofascismo como força majoritária nos governos (ainda não assistimos a isso plenamente, mas está no horizonte, que ele evolua para um regime político ditatorial de novo tipo) é uma alternativa extrema, mas disponível e cada vez mais abraçada por frações do grande capital, para administrar violentamente as contradições sociais e geopolíticas decorrentes da resposta predatória e destrutiva que esse mesmo capital está dando para a sua crise. De outro lado, como ideologia com alcance de massas, o neofascismo abraça a ideia de que, num mundo em decomposição acelerada como o que vivemos, apenas os “mais fortes” sobreviverão. Por isso, segundo essas ideologias, as saídas são individuais e a sobrevivência de cada indivíduo e a da sua família depende de seus méritos, assim como de sua capacidade de vencer a concorrência contra os que estão a seu lado, que por isso devem ser considerados não como companheiros, mas como inimigos a vencer, ou mesmo a abater.

É o  mesmo quadro que explica a volta ao governo de Trump nos Estados Unidos - e aqui não entraremos no debate sobre se Trump é ou não um neofascista, mas acentuamos o contexto que explica seu retorno à presidência da maior potência imperialista. Trump desnuda todas as contradições que seus antecessores procuravam ocultar. Assume que é movido pelo conflito interimperialista - centralmente a disputa pela hegemonia no mercado mundial entre EUA e China - e propõe uma saída agressivamente intervencionista e militarista para vencer esse conflito. Nesses marcos, o governo Trump vem reafirmando a tradicional política externa de tratar a América Latina como área de influência - ou quintal - dos Estados Unidos, o que garante por pressão econômica direta (as tarifas para vários países e o bloqueio genocidário a Cuba) e por manu militari, como no sequestro de Maduro, transformando desde então a Venezuela em protetorado do governo de Washington. O apoio eleitoral às candidaturas de extrema-direita na região tem sido parte dessas estratégias e, com maior ou menor grau de intervenção direta nesses processos eleitorais, tem dado resultado, com a eleição de governos de alinhados, que passam a fazer parte do “eixo” trumpista nas Américas. Em inícios de 2023, havia onze governos de esquerda na América Latina, mas hoje há 12 governos de direita e o governo Trump atuou diretamente para levar cada um deles ao poder, ou para mantê-los, como nos casos das eleições mais recentes de Keiko Fujimori no Peru, ou Abelardo de la Espriella na Colômbia, ou no apoio a Milei e seu partido nas últimas eleições parlamentares da Argentina. 

Na América do Sul, restam os governos do Brasil, Uruguai, Guiana e Suriname, genericamente classificados como de esquerda. Brasil e México são as duas economias mais fortes da América Latina sob governos de centro-esquerda. A administração Trump, com seu secretário de Estado Marco Rubio à frente, não vem medindo esforços para garantir o retorno da família Bolsonaro ao governo no Brasil. Sua intervenção começou em 2025 com a elevação das tarifas de importação de produtos brasileiros, justificada explicitamente - entre outras razões - pela condenação e prisão de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. Medida negociada com a participação de Eduardo Bolsonaro, representante do clã nas terras de Tio Sam, que a comemorou efusivamente. Paralelamente, vieram a cassação dos vistos e sanções financeiras a autoridades brasileiras, seguidas este ano da classificação dos cartéis de crime organizado - PCC e CV - como organizações terroristas, ameaçando escalar as retaliações à economia brasileira e fazendo pairar a sombra de ações militares mais diretas em território nacional. Recentemente, o jornal The Guardian noticiou a destinação pelo secretário de Estado de U$1 milhão do Fundo de Direitos Humanos e Democracia do governo estadunidense para projetos de organizações da sociedade civil no Brasil, focados no combate ao Supremo Tribunal Federal. Episódios como o fechamento da embaixada e consulados estadunidenses às vésperas do primeiro turno, sob a alegação, sem fundamentação, de ameaças de violência, reforçam a certeza de que há uma ação coordenada do governo estadunidense para apoiar a candidatura bolsonarista.

De qualquer forma, não é apenas o governo Trump que está atuando nesse processo. As redes privadas internacionais da extrema-direita avaliam muito bem a importância da eleição brasileira e estão bastante ativas. O grupo Rockbridge, entidade empresarial de financiamento e assessoria da extrema direita dos Estados Unidos, co-fundada pelo vice-presidente J.D. Vance e patrocinada por vários magnatas das Big Techs, enviou assessores para o comitê e atua diretamente na orientação da campanha do Bolsonaro Filho. E, em se tratando das Big Techs, seu controle sobre a circulação e distribuição de informações, desinformações e propaganda eleitoral produz um impacto decisivo na campanha, de difícil mensuração, dada a opacidade de seus mecanismos algorítmicos. 

Seríamos ingênuos, entretanto, se atribuíssemos exclusivamente à intervenção externa a vitória parcial de Flávio Bolsonaro no primeiro turno das eleições presidenciais. Ele possui apoio de expressivas frações da classe dominante brasileira e o bolsonarismo, como movimento de massas, continua a mobilizar parcelas significativas da sociedade. 

Na análise de longa duração, temos insistido em caracterizar o bolsonarismo como uma atualização neofascista da velha face autocrática da dominação burguesa no Brasil, seguindo as pistas da análise clássica de Florestan Fernandes sobre a autocracia burguesa e o caráter contrarrevolucionário permanente da dominação de classes no capitalismo dependente brasileiro. E, neste momento de crise estrutural do capital, são justamente os setores mais destrutivos da burguesia aqui instalada - como o agronegócio, em sua sanha de predação ambiental - que apoiam mais entusiasticamente o bolsonarismo, embora representações de todas as frações do grande capital possam ser encontradas entre seus apoiadores.

Já como movimento de massas, o bolsonarismo se sustenta em uma base de apoio que, desde 2018 e mesmo após a derrota eleitoral de 2022 e a prisão de Jair, oscilou sempre em torno de um terço da população brasileira. Uma base social que é vertebrada por uma coluna mais ativa vinda dos setores médios - pequena burguesia e assalariados de maior rendimento - mas mobiliza também amplas camadas da classe trabalhadora mais precarizada, em particular no Sul e Sudeste do país. 

As ideologias que explicam a capacidade de ganhar corações e mentes dessa parcela ampla da população são variadas e envolvem desde os chamados “valores conservadores” da família cristã, até o “empreendedorismo”, que destaca o sucesso dos grandes empresários como modelo a ser seguido pelos trabalhadores autônomos e precários, que se deveriam se enxergar como empresários de si mesmos. De um suposto “combate à corrupção”, movido pelos campeões de “rachadinhas”, até a pregação da necessidade de mais ações violentas contra a violência, centradas em armar mais as polícias e liberá-las para matar (as populações negras e periféricas, em especial), bem como garantir o armamento dos “cidadãos de bem”, entendidos como força auxiliar armada do bolsonarismo e que, no dia a dia, dispõem de um arsenal cada vez mais utilizado na violência doméstica e no aumento dos casos de feminicídio. De um nacionalismo vira-latas, que bate continência para a bandeira dos Estados Unidos, até um anticomunismo ampliado, típico de uma época em que o comunismo real não é uma ameaça imediata, mas todas as lutas e conquistas parciais contra as opressões, todas as pedagogias críticas aplicadas pelo professorado nas escolas, todos os movimentos sociais em suas lutas por direitos elementares, como educação, saúde, moradia, transporte etc. são agora entendidos como comunismo.

Para mobilizar em torno dessas bandeiras, o bolsonarismo atiça dois “afetos” fundamentais, como todo fascismo sempre fez: o medo e o ódio. Nas eleições, é o medo que comanda o voto antipetista, mas, combinado ao ódio, esses sentimentos podem mover a massa bolsonarista até muito longe das práticas democráticas, como a tentativa de golpe que culminou no 08 de janeiro de 2023 mostrou.

Porém, uma especificidade desse neofascismo à brasileira é que ele não organiza tal mobilização social através de um partido político fascista clássico. O PL é a legenda eleitoral da vez, mas os “partidos” dos Bolsonaro, no sentido de organização e mobilização de vontades coletivas na direção da luta política, são vários outros. No interior do aparelho de Estado, as forças armadas e as polícias, ofereceram a direção política e o “corpo técnico” do governo de Jair Bolsonaro, atuando como “Estado Maior”, literalmente, do bolsonarismo. A operação através das redes sociais cumpre o papel de manter acesa a mobilização permanente dos setores mais ativos do bolsonarismo, que emergiam com mais frequência nas ruas, em atos de massa até 2022, mas continuaram depois a todo vapor nas redes para, eventualmente, saírem à luz do dia, como no 07 de setembro deste ano. E, junto aos setores mais precarizados da classe trabalhadora, o bolsonarismo conta com a força de pastores/políticos e igrejas empresariais que difundem sua ideologia com grande capilaridade, das periferias das grandes cidades aos menores municípios do interior do país. As últimas pesquisas antes do primeiro turno continuaram a confirmar a maioria de votos para Bolsonaro (o filho) entre  os evangélicos e os resultados de domingo mostram uma diminuição da votação de Lula nas cidades menores e até mesmo no Nordeste, em relação a 2022.

Para além desses elementos, que estão à vista desde a eleição de Jair Bolsonaro em 2018 e de seu governo, há explicações mais conjunturais para o resultado das urnas no dia 04/10. A nomeação por Jair de dois juízes bolsonaristas para o Supremo Tribunal Federal mostrou-se extremamente eficiente para o bolsonarismo nos últimos meses. Nunes Marques e André Mendonça ocupam, pelo revezamento no STF, respectivamente a presidência e vice-presidência do Tribunal Superior Eleitoral e têm decidido sistematicamente a favor da campanha de Flávio e contra a de Lula em seus pleitos ao tribunal. Mendonça, além disso, municiou a campanha bolsonarista, às vésperas do 07 de setembro, com o mote anti-STF, quando vazou seletivamente acusações contra Alexandre de Moraes no caso do escândalo financeiro do Banco Master. Alvo da ira bolsonarista, por relatar o inquérito que levou Jair à prisão, Moraes foi eficazmente associado a Lula pela campanha de Flávio e seus erros caíram na conta do candidato petista.

A campanha de Lula parece ter ignorado as novas formas de mobilização pela extrema-direita do medo e do ressentimento para fins eleitorais e investiu numa divulgação dos “feitos” do presidente petista, comparados aos “malfeitos” do governo Bolsonaro, acreditando no efeito positivo da exposição da realidade material: aumento real do salário mínimo e da renda do trabalho; queda do desemprego e retomada dos programas sociais, com a retirada do Brasil do mapa da fome; mais investimentos em saúde e educação etc. É verdade que essas “entregas” do governo Lula, embora muito importantes para uma parcela da população, que nelas encontra a linha divisória entre a fome e uma vida de menor privação, foram muito limitadas pela política econômica do “arcabouço fiscal’, que asfixia a capacidade de investimento do Estado e que, portanto, os efeitos dessas políticas são parciais. No entanto, o fundamental é perceber que, para corações e mentes ganhos pelas ideologias do bolsonarismo, esses dados concretos dizem quase nada, pois são incapazes de reverter a expressão distorcida dos seus anseios reais (por uma vida mais segura, em todos os sentidos) e seus preconceitos arraigados. Ao defender suas políticas no governo e apresentar-se como baluarte do regime democrático, Lula é lido, na chave da narrativa bolsonarista, como o representante do “sistema”, que os neofascistas brasileiros - há tanto tempo encrostados como parasitas na máquina pública - dizem cinicamente querer destruir. 

De outro lado, a máquina eleitoral dos candidatos da direita e da extrema-direita continuou a ser azeitada nos últimos quatro anos pelo sequestro do orçamento federal através das emendas parlamentares, que nutrem não apenas os esquemas de corrupção mais tradicionais, como também a eficiente rede de apoios mútuos entre parlamentares, prefeitos e governadores dos seus círculos partidários e/ou familiares, que serão seus principais cabos eleitorais a cada quatro anos. Assim, a extrema-direita conquistou a maior bancada na Câmara dos Deputados e chegou muito perto da maioria qualificada no Senado Federal, o que lhe permite ampliar a ameaça de barrar qualquer medida governamental que lhe desagrade e aprovar sua pauta - como a anistia a Jair e aos demais golpistas e a ampliação da imunidade parlamentar.

O balanço de momento é, obviamente, muito negativo. Mas, constatar a proximidade do abismo nos deve servir de estímulo para atuar com a máxima intensidade até o dia 25/10. Lula tem a caneta nas mãos e deveria produzir “boas notícias” nessas três semanas. Às vésperas do primeiro turno, a Medida Provisória proibindo as BETs e o reajuste do Bolsa Família tiveram esse sentido e uma articulação mais efetiva para aprovar o fim da escala 6x1 no Senado seria um grande acerto. O que não faltam são outras possibilidades de apontar um rumo de mudanças efetivas, o que aumentaria a credibilidade do governo junto a setores da população suficientemente descrentes (não sem razão) da política e dos políticos para não terem votado em Lula no primeiro turno, mas que ainda não foram capturados pelas ideologias da extrema-direita e que, por isso, também não votaram em Flávio Bolsonaro. Esperando que Lula avance nessa direção, nos cabe, de qualquer forma, ir para as ruas, como estão fazendo (sem qualquer chamado ou apoio da campanha oficial) centenas de milhares de jovens estudantes por todo o país, bem como atuar nas redes sociais, para buscar os votos que faltam, reelegendo Lula e barrando a volta do neofascismo à presidência. Para virar esse jogo eleitoral no imediato e garantir o mínimo de condições para continuarmos lutando por uma virada mais ampla, em direção a um outro futuro.

O neofascismo bolsonarista já nos roubou muita coisa: projetos pessoais e coletivos; direitos sociais surrupiados entre 2019 e 2022; pessoas de nossas relações transformadas em zumbis do Bolsonaro; e entes queridos cujas vidas foram ceifadas pelo descaso premeditado do governo durante a pandemia de Covid-19. No poder, os Bolsonaro já transformaram nosso passado recente em um inferno. Não vamos deixar que façam o mesmo com nosso futuro.