Verdades, Caminhoneiros e Combustíveis

Passados 5 meses do ano de 2018, os noticiários reportam uma das maiores crises institucionais de nossa história, caminhoneiros parados, cidades sem combustível, pessoas assustadas, mercados desabastecidos, além do descrédito político consolidado. Uma sociedade a beira do caos provocado por suas próprias convicções, mas por quê?

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Diga a verdade, doa a quem doer, não é um mantra propriamente brasileiro, sai da letra da música pra nos dizer como as coisas deveriam ser, pelo menos pra uma ínfima minoria. A maior parte de nós, enquanto sociedade, gosta de ouvir doces ilusões, justificativas para suas próprias guerras, que invariavelmente, passam longe da verdade.

Por muito tempo, as grandes decisões históricas foram tomadas segundo interesses (pressões) de poucos, e isso gera, obviamente, contas a serem acertadas em algum momento. Não existe almoço grátis, e, quem paga a conta, normalmente não almoçou. O caso do modal rodoviário brasileiro é uma conta quem vem sendo paga pelo Lobby feito na década de 50, onde foram beneficiadas as montadoras, em detrimento da evolução do mais eficaz e barato modal ferroviário.

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Aliada à nossa enorme dependência do modal rodoviário, vieram as justas reivindicações dos caminhoneiros, uma classe que sofre com o alto custo por trás de seu trabalho e não consegue repassar os valores até o frete cobrado. Se tratam do mais fraco elo entre a produção e escoamento de quase tudo que é produzido em nosso território, justificando seu poder de mobilização, mesmo que descentralizada. Não cabe a nós discutir méritos ou modus operandi da manifestação, mas sim entender seus efeitos e aprender com isso.

A verdade é que sob uma desculpa de crise institucional, ficou clara e evidente toda nossa fraqueza moral. Apoia-se o movimento dos caminhoneiros desde que:

  • Posicionem-se contra um governo unânime em sua rejeição, ou levantem bandeiras de senso comum;
  • Nos tragam melhores preços em combustíveis através da redução de impostos;
  • Não prejudiquem nossa realidade individual ou da bolha em que vivemos…

A falta de combustíveis (principal consequência) que acarretou no desabastecimento, incerteza e paralização de serviços, foi causada majoritariamente pelo desespero (farinha pouca, meu pirão primeiro), pois se todos continuassem seus ritmos normais de vida, os efeitos seriam infinitamente menores.

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Essa sociedade egoísta e de mentalidade subdesenvolvida que ocupa os últimos lugares em produtividade e os primeiros em corrupção, é a mesma que cultiva relações descartáveis baseadas em ilusões momentâneas, e tem tanta dificuldade para fazer das verdades degraus em busca de sua evolução. Se fomos programados para viver em sociedade, a Empatia deveria ser material obrigatória concomitante ao beabá.

Óbvio que a Verdade e a Empatia são condições primordiais para nossa evolução enquanto sociedade, andam em conjunto e crescem de acordo com as experiências vividas. Os questionamentos óbvios ficam sobre nossa capacidade de aprender com as dificuldades vividas nesse tipo de momento e principalmente no espaço que a verdade ocupa em nossa vida.

Tanque cheio na garagem só serve de ostentação se sua platéia for vazia de boas intenções. A medida é simples, cerque-se de pessoas admiráveis por dentro, e sua índole crescerá pautada na verdade, principalmente quando sair dos trilhos e precisar mudar.

 

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