De Amartya Sen ao Bitcoin

Adaptado do texto de Alexandre Mastrocinque (Empiricus)

Em 1998, Amartya Sen escreveu o livro “Desenvolvimento Como Liberdade” (Livro digitalizado aqui!) e foi premiado com o Nobel de Economia. Dentre outras coisas, o cara é responsável pela criação do IDH e é referência mundial na luta contra a pobreza.

A ideia central de sua obra é que não se pode medir a riqueza puramente através de quanto as pessoas têm de dinheiro – seu conceito de riqueza é bem mais amplo: você é rico se pode escolher o que fazer (simplificando).

Da mesma forma, um país rico é aquele em que seus cidadãos podem fazer o que bem entenderem de suas vidas.

Para ele, enquanto muçulmanos se virem forçados a arriscar a vida atravessando bairros hindus (e vice-versa), não há desenvolvimento e não há riqueza.

Filosoficamente, quão rico é você se tem todo dinheiro do mundo mas não pode fazer nada? De que adianta ter um Van Gogh trancado em um cofre?

Sempre achei a visão de mundo de Amartya completamente antagônica à teoria marxista: “de cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades”.

A frase, popularizada por Marx e mantra de seus seguidores, é a explicação cabal de por que o comunismo não funciona: os pensadores de esquerda se preocupam muito com a capacidade e a necessidade das pessoas, mas pouco lhes importam suas vontades.

Yao Ming, pivô de 2,29 metros altura, é filho de um casal de jogadores de basquete. Seu pai, com 2 metros, e sua mãe, com 1,9 metro, foram “incentivados” pelo governo chinês a terem um filho que viria a ser um astro dos esportes e fenômeno na NBA.

Em uma economia planejada, não interessa se você quer ser advogado ou pintor – se a sociedade precisa de engenheiros, é isso que você vai ser.

O problema é: para “segurar as vontades” e controlar todo mundo, começam as censuras, o controle de mídia e a repressão política. Invariavelmente, há que se caminhar para alguma forma de ditadura, ou o sistema colapsa.

Oras, se não há riqueza sem liberdade, o controle só pode trazer pobreza – os venezuelanos que o digam!

Não à toa, pensadores à esquerda costumam acusar Amartya de ser um neoliberal safado. E olha que estamos falando de um cara que prega que só dinheiro não te traz mais riqueza!

Pensando sob a ótica do indiano, poucas coisas me parecem mais libertadoras e, portanto, enriquecedoras, do que as novas tecnologias, as invenções disruptivas, como o Spotify, Uber e até o Bitcoin. Tem venezuelanos e chineses comprando bitcoin para fugir do controle de capitais – já que não podem mandar dinheiro para fora, as pessoas estão dolarizando suas economias e surfando a onda das criptomoedas.

Partindo do princípio anticomunista desse blog, questionamos apenas:

  1. Por qual razão, temos tão poucos laureados contemplados nas bibliografias de nossas escolas? Você conhece algum professor de Economia, História ou Sociologia que cita algum desses caras? Estamos falando de Nobel de Economia! Incrível como ainda acreditamos que os seguidores de Marx só não são reconhecidos pelo imperialismo dominante em plena Social Democracia Sueca, rs. (Esse vídeo pode ajudar a entender um pouco essa parte).
  2. Qual será o comportamento dos bancos frente às criptomoedas e a disparadas das transações eletrônicas? Não sou tão apocalíptico quanto à Empiricus nesse caso, mas precisamos entender que a Indústria Financeira também muda rapidamente em cenários disruptivos, acredito numa nova onda de informatização e a desconstrução daquela imagem tradicional do banco “emprestador” de dinheiro.

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