Eu queria que meu pai trabalhasse na Fábrica de Café

Muito se fala que Itaperuna já figurou entre os grandes produtores mundiais de café, mas pouco se fala do declínio ou então da falta de solução nos dias atuais, em um cenário quase nostálgico vivido apenas por não sei quem das gerações passadas.

Pouco antes de Getúlio começar a pagar para cortarmos os pés de café, ou mesmo de seu preço desabar vertiginosamente, nossa cidade era pouco mais de uma vila, quiçá um amontoado de fazendas onde nem se cogitava a dimensão que teríamos hoje, em 2017.

A propósito, mês passado tivemos aqui o interessante “Circuito Cultural Fazendas Históricas do Noroeste Fluminense”.

Representamos um terço dos habitantes e pouco mais que isso da economia do Noroeste Fluminense… motivo de orgulho pra uns, tristeza pra outros que sabem o pífio tamanho dessa região em termos de importância no cenário estadual. Realmente, muito pouco perto do que já fomos ou do potencial inexplorado de nossos gentílicos.

Quando pequeno, minha primeira escola ficava ao lado de uma fábrica que fazia a torra, moagem e embalagem de café, a marca eu nem me lembro pois o cheiro era a única coisa que conseguia fixar em minha mente. Entre muitas histórias, de uma cultura que havia sido dominante, minha relação com o grão se restringiam a quando a bola caia do lado de lá do muro e um de nós buscava sob o olhar de todos os outros por cima do muro.

Eram tempos estranhos, falavam de superinflação e de preços subindo demais, porém nossa cidade respirava ávidos ares industriais, tinha uma Fábrica de Freios de destaque internacional, Cooperativas monumentais em âmbito regional e Frigoríficos que juntos empregavam muita gente… Isso mesmo, a indústria (Diferente do comércio), emprega de ambos os lados, de quem produz para fornecer seus insumos e de quem trabalha revendendo seus produtos acabados, absorve tanto gente qualificada, quanto sem qualificação.

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Lembro que os pais de alguns amigos, tinham a sorte de ter o mínimo de qualificação e eram abastados com várias coisas legais ao final do mês, como escolinha de futebol, ou mesmo tickets que eram trocados em troca de produtos industrializados… coisa chique. Fora essa dor de cotovelo, vejo que muita gente não teve compromisso com o futuro (Sustentabilidade Empresarial), sobretudo um certo grupo que sugou as fontes de nossa cidade de cabeça pra baixo e no lugar da prosperidade, ficaram os buracos nas ruas (que por onde acho que ela fugiu).

Hoje, insistimos em um comércio que apenas circula a mercadoria que é comprada pelos funcionários e donos do mesmo comércio. Ninguém entende que o grande pilar da economia de mercado é o consumidor e se este estiver sem recursos, a engrenagem simplesmente para. Um consumidor pobre termina em uma cidade pobre, com grandes diferenças sociais e enorme dificuldade de mobilidade social.

Precisamos trazer as indústrias de volta, mesmo que isso comece aos poucos, com vocações locais em fundos de quintal, nenhuma outra vertente econômica conseguirá sustentar o peso das gerações que estão por vir. Precisamos de fomento, de ideias e de pessoas que transbordem prosperidade, para que nossa cidade não fique eternamente na nostalgia do café.

 

Um comentário sobre “Eu queria que meu pai trabalhasse na Fábrica de Café

  1. Uma cidade fundada nos primórdios e cobiçado ” ouro verde”, sim a riqueza que levantou os grandes Barões e anos depois os levou ao chão. A cultura cafeeira que degradou a Mata Atlântica, acabou com espécies endêmicas, deixou apenas os grandes casarões, assombrados pelos gritos da destruição. A cultura itinerante passou pela nossa cidade, deixando aqui o cultivo do arroz e outras pequenas culturas. Destacando a pecuária leiteira…
    Hoje, diante a grande decadência vivida por nossa Itaperuna, chora uma comunidade sem trabalho… Da agricultura nada sobrou, apenas alguns pastos ocupados por gados de corte e ruínas de fábricas, onde antes sustentavam famílias, hoje nem sonho conseguem brotar… O jeito é sonhar, um futuro melhor ou políticos que queiram tralhar em proou de nossa Itaperuna?

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